A retomada do confronto entre integrantes das Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla em inglês), lideradas por curdos, e o Exército sírio, se intensificou de o último fim de semana em Aleppo, no norte da Síria.
Com o agravamento da situação, milhares de pessoas tentam fugir da região de carro.
Segundo a ONG Portas Abertas, cristãos da área de Sheikh Maqsoud estão buscando abrigo na casa de amigos, familiares e nas igrejas.
Diante do cenário, o governo sírio classificou, na quarta, 7, os bairros de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh como "zona militar fechada".
Em dezembro, a FDS e forças ligadas ao novo governo já tinham entrado em confronto na mesma região.
Na ocasião, quatro pessoas foram mortas.
Em publicação no X, Tom Barrack, enviado especial dos EUA para a Síria, fez um apelo por cessar-fogo e redução das tensões.
“Portanto, fazemos um apelo urgente à liderança do governo sírio, às Forças Democráticas Sírias (SDF), às autoridades locais nas áreas administradas pelos curdos e a todos os atores armados no terreno: suspendam as hostilidades, reduzam as tensões imediatamente e comprometam-se com a desescalada”, diz Barrack em uma publicação no X.
O governo Trump considera como trunfo sua boa relação com ambos os lados do conflito, o que pode facilitar esforços de mediação.
O porta-voz do Ministério do Interior sírio, Noureddine al-Baba, acusou a aliança curda de promover “ataques sistemáticos em Aleppo, contra bairros residenciais densamente povoados e o Hospital Al-Razi”.
Segundo al-Baba, a intenção dos curdos é minar o acordo assinado em 10 de março, que previa negociações sobre o futuro do exército curdo e da administração das regiões sob seu controle.
Já o porta-voz das FDS negou as acusações de Damasco. Segundo ele, o ataque partiu das forças do novo governo.
"Mentiras como ferramenta política para justificar seus ataques. Dezenas de vídeos "documentados mostram bombardeios de artilharia e tanques realizados por facções do governo de Damasco nos bairros de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh e em outras áreas".
O acordo histórico previa a integração de todas as instituições civis e militares do nordeste da Síria à estrutura do Estado.
O presidente Ahmed al-Sharaa e o comandante da FDS, Mazloum Abdi, concordaram em fundir os aparatos administrativos e de segurança à administração central.
Pelo acordo, os combatentes curdos também apoiariam as forças do governo sírio no combate a milícias pró-Assad.
As negociações já estavam em andamento desde a queda do ditador, mas a implementação prática ficou longe do esperado, levando à retomada das conversas nas últimas semanas.
Os curdos são um povo que habitam a região do Curdistão, espalhada pelo leste da Turquia, norte do Iraque, noroeste do Irã e nordeste da Síria.
Cerca de 40 milhões de pessoas se identificam como curdos, sendo a maior população sem Estado própria.
Na Síria, o movimento de independência é o FDS.
Os combatentes tiveram um papel fundamental na guerra contra o Estado Islâmico (ISIS), durante a guerra civil.
Os Estados Unidos financiavam, diretamente ou indiretamente, parte das atividades militares no nordeste da Síria.
Na Turquia, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (conhecido como PKK) é considerado um grupo terrorista.
O PKK surgiu em 1978 para lutar por um Estado curdo independente.