Em episódio recente do podcast Ask Pastor John, um ouvinte questionou o pastor John Piper se gestos públicos de fé, como levantar as mãos no culto, orar em público ou compartilhar versículos bíblicos nas redes sociais, expressam devoção sincera ou podem se tornar busca por aprovação.
A pergunta do ouvinte estava no contexto do alerta de Jesus em Mateus 6 contra praticar a justiça “para ser visto pelos outros”. O ouvinte perguntou se atitudes como levantar as mãos, fechar os olhos ou demonstrar emoção na igreja poderiam ultrapassar a linha da hipocrisia, nos termos do que Jesus condenou ao advertir contra orações públicas feitas para receber elogios. Piper afirmou que o foco do ensino de Jesus não está principalmente no gesto externo, mas na intenção do coração.
“A questão é a nossa motivação, não a nossa ação em si”, afirmou Piper, ao dizer que Jesus repetidamente confronta o desejo de aprovação humana e chama os crentes a buscarem a aprovação de Deus. Ele disse que Mateus 6 funciona como teste de autenticidade espiritual, ao colocar em pauta se Deus é real como Pai e se a recompensa prometida por Ele supera o prazer do aplauso humano.
Piper afirmou que os exemplos de Jesus expõem a condição do coração humano e não criam uma lista de comportamentos públicos proibidos: “Não dá para viver a vida cristã sem ser conhecido como uma pessoa piedosa. Não dá”, disse ele, ao lembrar a orientação de Mateus 5:16 para que as boas obras sejam vistas de modo que Deus receba a glória.
Ele também alertou que nenhum comportamento é automaticamente “seguro” do ponto de vista espiritual, porque até gestos de humildade podem alimentar orgulho: “Não existem espaços seguros. Não existem comportamentos seguros neste mundo — nenhum”, afirmou. “Nossos corações humanos estão infectados pelo pecado inerente e são capazes de se orgulhar dos comportamentos mais humildes, bondosos e generosos.”.
Piper afirmou que o ensino de Mateus 6 alcança diferentes formas de fé pública, incluindo postura na adoração, frequência à igreja, oração antes das refeições, uso de símbolos religiosos e publicações de versículos bíblicos. Ele disse que a linha entre fidelidade e performance é cruzada quando ações são movidas pelo desejo de elogios humanos, pelo desprezo ao amor ao próximo ou pela busca da própria glória em lugar da glória de Deus.
Ao mencionar um cenário em que uma grande congregação não costuma levantar as mãos no culto, Piper disse que discernimento e amor devem orientar quando exercer ou restringir liberdades pessoais por consideração aos outros: “[É] por isso que Paulo orou para que o nosso ‘amor transborde cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção’ (Filipenses 1:9)”, afirmou, segundo o The Christian Post.
Piper disse que a pergunta central retorna ao que os crentes realmente desejam. “Por fim, a fidelidade pública se torna mera performance pública quando deixamos de esperar que Deus seja glorificado mais do que nós”, declarou. “Deus é real para nós? Ele é um Pai precioso para nós? A promessa de sua recompensa é muito mais desejável para nós do que as recompensas da admiração humana?”.