Artigos Artigo Maria Lúcia
Entre Telas e Laços
O avanço da tecnologia trouxe inúmeros benefícios para a sociedade
26/01/2026 09h18
Por: Redaçao Fonte: Por Redação Capital Gospel News
GEMINI E ADOBE

Entre Telas e Laços: os impactos do uso excessivo de tecnologia no relacionamento entre pais, crianças e adolescentes

O avanço da tecnologia trouxe inúmeros benefícios para a sociedade, especialmente no acesso à informação, à educação e à comunicação. No entanto, quando o uso de telas — como celulares, tablets, computadores e videogames — se torna excessivo na infância e na adolescência, surgem desafios importantes, sobretudo no âmbito dos relacionamentos familiares.

Do ponto de vista da psicologia, crianças e adolescentes estão em fases cruciais do desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Nessas etapas, o vínculo com os pais ou cuidadores é fundamental para a construção da identidade, da autoestima, da capacidade de autorregulação emocional e do senso de pertencimento. Quando o tempo de convivência é constantemente substituído ou interrompido pelo uso excessivo de telas, a qualidade desse vínculo pode ser prejudicada.

O psicanalista e pediatra Donald Winnicott destacou a importância da presença emocional dos pais, afirmando que o desenvolvimento saudável da criança depende de um ambiente suficientemente bom, no qual ela se sinta vista, ouvida e acolhida. Para Winnicott, não é apenas a presença física que importa, mas a disponibilidade emocional genuína do cuidador. Nesse sentido, a substituição do diálogo, do brincar compartilhado e da escuta atenta por interações mediadas por telas pode enfraquecer essa presença emocional tão necessária.

Além disso, estudos na psicologia do desenvolvimento apontam que o uso excessivo de telas pode impactar:

Na adolescência, fase marcada pela busca de autonomia e identidade, o excesso de tempo online pode intensificar o distanciamento emocional dos pais. Muitos conflitos familiares surgem não apenas pelo uso das telas em si, mas pela dificuldade de negociação, pela ausência de limites claros e pela sensação, por parte dos filhos, de não serem compreendidos.

À luz da fé cristã, esse tema também convida à reflexão sobre a importância da presença, do cuidado e do relacionamento. A Bíblia nos lembra que os vínculos se constroem no convívio, na escuta e no amor prático do dia a dia. O desafio contemporâneo não é eliminar a tecnologia, mas utilizá-la com sabedoria, equilíbrio e propósito, sem permitir que ela ocupe o lugar das relações.

Assim, cabe aos pais o papel de orientar, estabelecer limites saudáveis e, sobretudo, dar exemplo. Momentos simples — como refeições em família, conversas sem distrações, atividades compartilhadas e tempos de qualidade — fortalecem os laços e ajudam crianças e adolescentes a se sentirem emocionalmente seguros.

Em um mundo cada vez mais conectado por telas, o convite é resgatar a conexão humana, lembrando que o desenvolvimento emocional saudável floresce onde há presença, vínculo e amor.

Maria Lúcia

Psicóloga

CRP 01/29239