Pedram Saeidi, de 28 anos, foi perseguido por protestar contra a ditadura no Irã. Aconteceu em 9 de janeiro, na cidade de Isfahan, na região central do país. Ele resistiu até a porta de casa, quando agentes do Estado o atingiram com tiros nas costas, em frente à mãe e à avó, matando-o no local.
Segundo testemunhas ouvidas pela plataforma de notícias Iran Internacional, os agentes capturaram o corpo de Saeidi, logo depois dos disparos. A família passou dias sem saber o paradeiro do cadáver. O rapaz é um entre os milhares de manifestantes assassinados pela ditadura no Irã, desde que uma onda de protestos tomou conta do país no fim de 2025. De acordo com a Organização das Nações Unidas, há indícios de que o regime tenha matado 18 milo iranianos no período.
Povo das ruas
Iranianos começaram a sair às ruas do país no último dia, 28 de dezembro para protestar contra o aumento de custo de vida. Conforme as manifestações cresceram, a reivindicação se tornou a queda do próprio regima: a ditadura islâmica no começo do Irã, há quase 50 anos.
Ditadura dos aiatolás no Irã
Em 1979, o Irã deixou de ser uma monarquia laica para mergulhar num regime fundamentalmente religioso. Antes da mudança, o xá era o governante - cargo equivalente a rei. Depois,o posto de maior poder passou a ser do líder supremo, posição sempre ocupada por um aiatolá, título do alto clero mulçumano cuja tradução significa "sinal de Deus".
O primeiro aiatolá no topo do poder foi Ruhollah Khomeini. Ele permaneceu no cargo até morrer, em 1989, quando foi substituído por Ali Khamenei - líder supremo da ditadura no Irã desde então. Sob o comando dos aiatolás, as leis se tornaram submissas à visão deles sobre o Islã. Homens e mulheres não são iguais perante a lei. Homossexuais são condenados a morte, Cristãos e judeus não têm os mesmos direitos que os mulçumanos.