
Em um país onde a maioria das famílias luta para equilibrar o orçamento diante do custo de vida, as notícias que chegam de Brasília parecem vindas de um universo paralelo. Mais uma vez, o Congresso Nacional demonstra estar "de costas para o Brasil", priorizando uma agenda de benefícios próprios que afronta a realidade da população.
Recentemente, em uma manobra acelerada, a Câmara e o Senado aprovaram reajustes salariais generosos para seus servidores, criando mecanismos que driblam o teto constitucional — hoje fixado em R$ 46 mil. Enquanto o reajuste do salário-mínimo é calculado centavo a centavo, o Legislativo desenha "gratificações" e "compensações" isentas de Imposto de Renda. É o triunfo do corporativismo sobre a necessidade nacional.
O projeto aprovado vai além do impacto financeiro direto: instituiu o benefício de um dia livre para cada três trabalhados, permitindo ainda a "venda" dessa folga para engordar o contracheque por fora do teto. Enquanto o brasileiro comum enfrenta jornadas exaustivas e transporte público precário, Brasília legisla para criar uma casta de privilegiados. Como bem alerta o texto bíblico: "Ai daqueles que fazem leis injustas e decretos opressores" (Isaías 10:1).
O cenário de indignação se agrava com a perspectiva de omissão dos outros poderes. O Executivo, movido pelo pragmatismo político e pelo receio de tensionar relações com parlamentares, evita o veto total. Já o Judiciário, que historicamente abriga o maior número de supersalários do país, tende a fazer "vista grossa" a dispositivos que, no fim das contas, beneficiam o próprio sistema.
O Capital Gospel News levanta sua voz contra o patrimonialismo que corrói as instituições da República. Não se trata apenas de uma questão fiscal, mas de uma questão moral. Um Estado que padece de restrições graves na saúde e na segurança não pode se dar ao luxo de alimentar a voracidade de suas próprias cúpulas.
É tempo de a sociedade civil cobrar transparência. Não podemos aceitar que o serviço público seja usado para o enriquecimento de poucos enquanto o povo, o verdadeiro soberano, assiste a tudo do lado de fora, pagando a conta de uma festa na qual não foi convidado.
Brasília precisa aprender a olhar para o Brasil. De frente.