A palavra política deriva do grego polis, que significa "cidade". Desde a Antiguidade, a política diz respeito à forma como vivemos em comunidade; trata-se do processo de decidir como vamos conviver em sociedade de maneira organizada e justa.
O problema surge quando esse propósito original é distorcido e a política se transforma em um mero jogo de poder pelo poder. Desde Nicolau Maquiavel, cujo pensamento moldou boa parte da arte de governar, convivemos com a manipulação brutal de notícias, dados e comportamentos. Quase sempre, o objetivo é a locupletação e o benefício pessoal às custas da coisa pública.
Em 28 de outubro de 2018, um outsider da política, Ibaneis Rocha, elegeu-se de forma surpreendente governador do Distrito Federal. Advogado bem-sucedido e com carreira ilibada, ele transformou o DF com obras por toda a cidade, implementando um governo reconhecido por muitos como eficiente.
Após gestões anteriores consideradas insatisfatórias por grande parte do eleitorado, a capital voltou a experimentar um dinamismo administrativo que devolveu a esperança à população. O resultado dessa aprovação foi a sua reeleição ainda no primeiro turno.
Por ser um profissional realizado, Ibaneis poderia estar desfrutando a vida ao lado da família, longe das pressões inerentes à vida pública. No entanto, imbuído do espírito de homem público, decidiu sacrificar sua tranquilidade pessoal para servir a Brasília.
Surge agora o escândalo envolvendo o Banco Master. Até o momento, não há provas de envolvimento pessoal do governador para benefício próprio. O que se observa são ilações maldosas e a exploração da complexidade do mercado financeiro, representado por um banco estatal até então respeitado e considerado bem-sucedido: o BRB.
Os “abutres”, ávidos pelo poder, já destilam seus augúrios, defendendo que Ibaneis seja impedido ou que abra mão de uma candidatura ao Senado, hoje considerada provável e vitoriosa. É preciso cautela. Devemos saber separar "ovelhas de bodes" e não desperdiçar um quadro político tão capaz, que ainda tem muito a contribuir para uma política séria e honesta.
Quantos homens públicos notáveis já foram sacrificados no altar da inveja e dos interesses escusos? Um exemplo emblemático foi Juscelino Kubitschek. O presidente responsável pelo projeto mais ambicioso do país — a construção de Brasília — terminou sua vida impedido de fazer política em sua própria nação. Não podemos repetir tais erros.
Observaremos as cenas dos próximos capítulos. Tudo indica que o sufrágio popular, expressão da sabedoria que emana do povo, poderá coroar Ibaneis com uma votação expressiva para o Senado, além de viabilizar sua provável sucessora, Celina Leão, dando continuidade a uma gestão vista por muitos como séria e eficiente.
Como bem afirmou Aristóteles: “A política existe para promover o bem comum”. Que esse pensamento do filósofo seja o norte para a escolha daqueles que devem liderar nossa gente rumo a dias melhores, sem se deixarem contaminar pelo jogo sujo e cruel do poder pelo poder.