O Supremo Tribunal Federal (STF) vive uma de suas crises internas mais graves da história recente. O que deveria ser uma reunião de portas fechadas para decidir o futuro do "Caso Master" transformou-se em um escândalo nacional após o jornal Poder360 ter acesso e publicar trechos literais dos diálogos entre os magistrados. O ministro Dias Toffoli, alvo de pressão por sua atuação no processo, deixou a relatoria, mas as revelações expuseram uma profunda fragilidade nas relações dentro da Corte.
A saída de Dias Toffoli da relatoria do Caso Master, oficializada nesta semana, ganhou contornos dramáticos com a divulgação das transcrições da reunião ocorrida no último dia 12 de fevereiro. As informações, que vieram a público através de uma reportagem detalhada do Poder360, revelaram um cenário de guerra e indignação nos bastidores do Judiciário.
Nos textos publicados pelo jornal, ministros de diferentes alas da Corte se uniram em críticas ácidas ao relatório da Polícia Federal (PF) que citava o nome de Toffoli. De acordo com o que foi vazado, magistrados como Flávio Dino e Nunes Marques teriam classificado as peças investigativas como "lixo jurídico", em uma tentativa clara de blindar o colega e desqualificar o trabalho dos investigadores.
O clima de corporativismo ficou evidente nas transcrições do Poder360, onde ministros expressaram o receio de que a retirada da relatoria por pressão externa pudesse abrir um precedente perigoso para qualquer integrante da Corte.
A maior preocupação no momento, segundo apurou o Capital Gospel News, é a quebra de sigilo inédita. Como a reunião não contava com assessores, a suspeita de que um dos próprios ministros possa ter gravado e repassado o conteúdo ao jornal Poder360 gerou um clima de "paranoia" no tribunal.
Toffoli negou veementemente ser o autor do vazamento, mas o episódio destruiu a confiança que sustentava o colegiado. Agora, cada conversa nos corredores do STF é vista com olhos de alerta e medo de novas revelações.
Com a saída estratégica de Toffoli — feita sob a justificativa oficial de ser "a pedido" para preservar a instituição — o ministro André Mendonça foi sorteado como o novo relator. A chegada de Mendonça ao caso é o fato novo que o Brasil acompanha com lupa, especialmente após o STF tentar validar todos os atos anteriores de Toffoli para evitar que o Caso Master sofra uma anulação em massa.
Enquanto o tribunal tenta se reorganizar após o impacto da reportagem do Poder360, o país assiste a um Judiciário que, longe dos holofotes das sessões públicas, vive momentos de pura tensão política.