
Minas Gerais enfrenta a pior catástrofe de seu histórico recente de chuvas em fevereiro de 2026. Com um acumulado pluviométrico que já supera o dobro da média histórica em diversas regiões, o estado contabiliza um rastro de destruição e um número alarmante de vítimas. De acordo com as últimas atualizações (manhã de 26/02), já são 54 mortos confirmados, e as equipes de resgate atuam em ritmo frenético na busca por cerca de 20 desaparecidos, sob o risco iminente de novos deslizamentos.
A Zona da Mata é a região mais castigada. Juiz de Fora, com mais de 40 mortes, e Ubá, com pelo menos 6 vítimas, são os epicentros da tragédia. Ambos os municípios decretaram Estado de Calamidade Pública, mobilizando o Exército, a Força Nacional do SUS e voluntários para mitigar os impactos de um cenário que se agrava a cada hora.
O bairro Parque Burnier, em Juiz de Fora, tornou-se um dos símbolos mais dolorosos dessa catástrofe. Na última segunda-feira, um deslizamento de terra avassalador soterrou completamente 12 imóveis, ceifando a vida de 17 pessoas de uma mesma família ou núcleo comunitário. Sobreviventes relatam a brutalidade da cena, descrevendo a "montanha de lama" que desceu sobre as casas em questão de segundos. As buscas no local são lentas e perigosas, realizadas manualmente por conta da instabilidade do terreno e da continuidade das chuvas, que forçam interrupções constantes.
O cenário de destruição se estende. Na madrugada desta quarta-feira (26), um novo e trágico incidente abalou o bairro Paineiras, também em Juiz de Fora. Uma família de cinco pessoas foi soterrada; até o momento, três corpos foram localizados (mãe, filha e o namorado), e as buscas continuam por duas crianças, de 6 e 9 anos, que ainda estão desaparecidas sob os escombros.
Mais de 4.000 pessoas foram forçadas a deixar suas casas em todo o estado, buscando refúgio em abrigos públicos ou na casa de parentes e amigos. A Defesa Civil mantém alertas em dezenas de áreas de risco, com ordens de evacuação em diversos pontos, especialmente em Juiz de Fora, onde o solo está completamente encharcado e a ameaça de novos desabamentos é constante.
Apesar da gravidade da situação, a previsão meteorológica não oferece alívio. Uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) permanece atuante sobre Minas Gerais, mantendo um corredor de umidade que garante a continuidade das chuvas. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta vermelho, indicando chuvas persistentes e de forte intensidade até, pelo menos, o próximo sábado (28/02). A saturação do solo é máxima, o que significa que mesmo chuvas de menor volume representam um risco elevado para novas tragédias.
