
MIAMI, EUA – O cenário político das Américas sofreu uma reconfiguração drástica neste sábado (7). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu as principais lideranças de direita e centro-direita da América Latina em seu resort em Doral, na Flórida, para o lançamento da cúpula "Escudo das Américas". O evento, focado no combate ao narcoterrorismo, marcou o isolamento diplomático do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que não foi convidado para o encontro.
A cúpula contou com a presença de chefes de Estado que hoje representam o contraponto ao progressismo na região: Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador), Daniel Noboa (Equador) e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
Para o governo Trump, o critério de participação foi claro: alinhamento ideológico e compromisso com políticas de "mão dura" contra o crime organizado. Além do Brasil, os governos de esquerda do México (Claudia Sheinbaum) e da Colômbia (Gustavo Petro) também foram excluídos da coalizão.
O ponto alto do evento foi a assinatura da Carta de Doral. O documento estabelece uma cooperação militar e de inteligência sem precedentes para "destruir" os cartéis de droga que assolam o continente. Trump reafirmou sua intenção de usar força letal contra traficantes em águas internacionais e criticou governos que, segundo ele, são "condescendentes com o mal".
"Não haverá lugar para o crime organizado onde houver liberdade e soberania. Estamos unindo as nações que amam a ordem e respeitam a lei", afirmou Trump durante o banquete de encerramento.
A ausência de Lula na mesa de discussões evidencia a distância abissal entre Brasília e a nova Casa Branca. Enquanto Milei e Bukele consolidam-se como os principais interlocutores de Trump na América Latina, o Brasil é visto com desconfiança devido às suas alianças com regimes autoritários e sua postura de neutralidade em relação ao avanço da China na região.
Para a comunidade cristã e conservadora, a cúpula sinaliza um fortalecimento de lideranças que priorizam a família, a segurança pública e o combate à corrupção, deixando claro que o "Eixo da Liberdade" nas Américas está ganhando corpo, mesmo sem o apoio da maior economia da América do Sul.